Lugar de mulher é na revolução!

quinta-feira, 23 de julho de 2009

Dentro e Fora de Mim: Karla Ramalho

tenho lembranças remotas
tenho encantos quase sempre
tenho medo que de repente
esse encanto possa acabar

tenho emotas tudo que desejo
guardados em meu pensamento
tenho quase, quase tudo
na palma da minha mão

tenho sonhos incertos, imperfeitos
tenho sentimentos estranhos
guardados no coração

tenho memórias de um tempo
que nunca vivi
remorso de um amor
que nunca deixei

tenho sentimentos escondidos
que nunca demonstrei
tenho cartas guardadas
que nunca enviei

esse encanto que me rodeia
quase sempre
não tente entende-lo

deixe esse mistério
pois sem mistério
perde o encanto
perde a graça

tudo passa
até mesmo o encanto
até mesmo a dor
menos o amor

esse é insistente
fica lá na memória
nunca vai completamente

mas todos esses sentimentos
diferentes e confusos
faz a vida ter graça

sem eles na vida
tudo passa
com tanta nostalgia

são sentimentos
de tristezas e alegrias
que trilham nosso caminho

somos todos feitos assim
de incertezas
de lembranças
e de sonhos
ás vezes impossíveis

mas também
Somos feitos de esperança
repletos de sentimentos
para qualquer momento
ter um novo começo

Farol: Ray Vasconcelos


Farol solitário
Que vive calado
A vigiar o mar
O mar solidão

Escuta o pranto
Desse mar
Que te faz companhia
De noite e de dia

Escuta o pranto
Junto com teu branco
E a tua solidão

quinta-feira, 12 de março de 2009

As flores do dia 8 de março


Dia 8 de Março é dia de ganhar rosas”, já vamos nós matutando a idéia e pronta para arrecadar elogios e parabéns pelo Dia Internacional da Mulher. Há até aquelas que ganham presentes mais elaborados e pomposos, seja em casa, seja no trabalho. Mas nem sempre o nosso dia tão florido foi tão bonito.

                  Sabemos bem o porquê do dia 8 ter se tornado um dia com repercussão mundial no calendário. Muitas de nós já cansou de ouvir aquele blá-blá-blá das operárias que morreram carbonizadas em uma fábrica nos EUA, há alguns anos atrás. Bem, isso é sinal de que estamos bem informadas.

Porém, mesmo já cansadas de saber de tudo isso, devemos nos atentar ao verdadeiro significado do dia 8 deste mês. Se o dia foi criado com intuito de lembrarmos uma data especial, não é exatamente o fato de ganhar rosas que nos deve instigar a nos acharmos especiais.

Nascemos em pleno século XXI e nosso mercado de trabalho ainda teima em diferenciar os salários femininos, mesmo que nossas funcionárias exerçam a mesmoa função que os homens.

Fomos criadas em uma sociedade onde o homem que fica com várias mulheres é considerado apenas galinha (e, portanto, tem boa fama no meio masculino) e a mulher que fica com vários homens é chamada de  p... Iii, esqueci a palavra! Enfim, acho que nem preciso transcrevê-la para que fique óbvio.

Ainda nos perseguem aquelas piadinhas de loiras nada inteligentes, enquanto os homens loiros são apenas     galantes e charmosos.

E mesmo com tanta  modernidade, nós ainda sofremos todo tipo de agressão física e moral, tanto por parte de familiares, companheiros ou até amigos.

Pensemos um pouco nessas condições a que nos submetemos todos os dias e nos coloquemos diante de um espelho, ao qual nos perguntaremos em seguida: “Eu ainda sofro discriminação só pelo fato de ser mulher?”

Bem, a mídia, todos os anos, nos oferece apenas a beleza artificial e apelativa como forma de feminilidade. E nós, como ficamos em meio a tanta bajulação?

Mulher tem é fibra e muita coragem. Mulher nasceu pra ir à luta. Mulher é pra subir no palanque, como Pagu, e dizer o que bem quer. Eu gosto muito das flores... Mas as murchas que me oferecem por aí pra comprar as minhas opiniões, eu prefiro jogar no lixo.

Estamos aqui, depois de tanto tempo para mais uma edição do nosso sapatinho amistoso. Ele demorou a voltar, mas está aqui fresquinho pra você.

Então, suba no palanque, delicie-se com sua leitura de bom gosto e seja a flor mais linda que existe dentro de você.

Parabéns pelo nosso dia 8 de março! E viva todos os homens e mulheres que lutam por um mundo mais justo e leal ao que nós somos!

 

Karla Ramalho, poetisa e compositora radicalista







Hoje, exatamente hoje

Guardo para sempre

Mais um amor

Que amei sozinha

Hoje, exatamente hoje

Parto para outra

Sem nunca ter vivido

Hoje, exatamente hoje

Eu esqueço um alguém

Que nunca tive

Hoje, exatamente hoje

Sinto que perdi

 Sem ao menos ter tentado

Hoje, exatamente hoje

Viro mais uma página

Dessa história.

Que nunca foi escrita.”

 

Karla Ramalho

 

Sueli Martins, poetisa radicalista


Sou kiwi.

Eu nunca tinha sido kiwi.

 

Pela casca percebes

o quanto sou carrancudo e seco.

 

Quando me cortas em pedaços,

hum,

ressurjo belo em verde.

Porém,

há,

como nos grandes amores,

super-surpresas mais além:

 

Kiwi não se sabe se é maduro - por fora

e quando te abro... também não sei,

 

só posso saber quando provo:

o doce e o azedo de tua lei.

 

Sueli Martins

Poetisa Radicalista

 


Tenho fases, como a Lua; fases de ser sozinha, fases de ser só sua.”

Cecília Meireles

 

PAGU: escândalo para a sociedade

Patrícia Galvão, mais conhecida como Pagu, já era uma mulher avançada para os padrões da época, pois cometia algumas “extravagâncias” como fumar na rua, usar blusas transparentes, manter os cabelos bem cortados e eriçados e dizer palavrões. Nada compatível com sua origem familiar.

Com 18 anos, mal completara o Curso na Escola Normal da Capital, em São Paulo e já está integrada ao movimento antropofágico, de cunho modernista, sob a influência de Oswald de Andrade e Tarsila do Amaral. É logo considerada a musa do movimento.

Em 1930, um escândalo para a sociedade conservadora de então: Oswald separa-se de Tarsila e casa-se com Pagu. No mesmo ano, nasce Rudá, segundo filho de Oswald e primeiro de Pagu. Os dois se tornam militantes do Partido Comunista.

Ao participar da organização de uma greve de estivadores em Santos Pagu é presa. Era a primeira de uma série de 23 prisões, ao longo da vida. Logo depois de ser solta (1933) partiu para uma viagem pelo mundo, deixando no Brasil o marido Oswald e seu filho. No mesmo ano, publica o romance Parque Industrial (considerado o primeiro romance de cunho proletário brasileiro), sob o pseudônimo de Mara Lobo.

Em 1935 é presa em Paris como comunista estrangeira, com identidade falsa, e é repatriada para o Brasil. Separa-se definitivamente de Oswald, retoma a atividade jornalística, mas é novamente presa e torturada, ficando na cadeia por cinco anos.

Ao sair da prisão, em 1940, rompe com o Partido Comunista, passando a defender um socialismo de linha trotskista. Integra a redação de A Vanguarda Socialista junto com seu marido Geraldo Ferraz, Mário Pedrosa, Hilcar Leite e Edmundo Moniz.

Quando acometida por um câncer, viaja a Paris para se submeter a uma cirurgia, sem resultados positivos. Volta ao Brasil e morre em 1962.

 

Gia Carangi: Quebrando tabus


Quebrando vários tabus,  Gia Carangi foi a primeira modelo a desfilar com roupas de homem e aparecer no estúdio de cara lavada, vestindo um velho jeans rasgado no joelho e assumir que era bissexual. Por essas e outras transformou-se num mito. Seu trabalho começou a se expandir depois que Gia entrou para Wilhelmina models, uma agencia em New York que não era muito conhecida na época. Com Wilhelmina Cooper, Gia trabalhou muito duro. No inicio as pessoas se recusavam a aceita-la para fotos, não viam nada em especial, as loiras eram as preferidas. Em 1 de abril de 1979 sua carreira decolou de vez, quando pela primeira vez foi capa da revista Vogue.

Em pouco tempo, conseguiu tudo: cachês altíssimos e muita fama. Mas infelizmente, no auge de sua carreira, após vários escândalos e se tornar viciada em heroína e cocaína, Gia passou constantemente a tentar largar o mundo da moda.

Gia iniciou um tratamento contra o vício, porém o vírus HIV foi identificado em seu sistema vital, e a modelo vive então seu pior momento.

No final de sua vida, Gia queria que sua história fosse contada para que outras pessoas tivessem a oportunidade de aprender com sua tragédia. Dessa forma sua vida não seria em vão. Quando começou a se tratar da AIDS, não tinha dinheiro para custear o tratamento, teve que se declarar indigente para conseguir ajuda médica. A AIDS a mutilou a ponto de que os músculos se desgrudaram do corpo. Em 18 de novembro 1986, aos 26 anos, Gia entrou para uma parte triste da história como a primeira mulher famosa a morrer de AIDS.

 


“Sejam vocês mesmas! Estudem cuidadosamente o que há de positivo ou negativo na sua pessoa e tirem partido disso. A mulher inteligente tira partido até dos pontos negativos. Uma boca demasiadamente rasgada, uns olhos pequenos, um nariz não muito correto podem servir para marcar o seu tipo e torná-lo mais atraente.
Desde que seja seu mesmo.” (Helen Palmer)